
No dia em que eu morri, quase ninguém percebeu. Nem os mais à minha volta. Não porque me soubessem doente ou porque não soubessem reconhecer um corpo inerme, um cadáver. Mas porque não conseguiam - nenhum deles - ver além da forma imediata da matéria. Nem espiar a ausência de luz por trás dos olhos. O frio das mãos que tinge de um leve lilás as pontas dos dedos. E a ausência progressiva do coração que se foi aos poucos desfazendo, se esfarelando, até que apenas o eco do seu bater antigo em meu peito se ouvisse. O eco. E assim, dia após dia, desde aquele dia, todos eles olham-me, tocam-me e falam-me como se eu ainda fosse um deles, ainda estivesse viva. Só eu e os passarinhos, aqueles que cantam manhãzinha no pinheiro, sabem que eu morri. Tu também o saberias se acaso me visses. Mas teus olhos já não me vêem, já não me olham, perdidos que estão a espreitar horizontes longínquos. E já não sabem de mim.
Escrito por †Ëssênciå då morte† às 23h01
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Relicário Nando Reis
É uma índia com um colar, A tarde linda que não quer se por, Dançam as ilhas sobre o mar, Sua cartilha tem o a de que cor?
O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou. O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou...
São dois cílios em pleno ar Atrás do filho vem o pai, o avô Como um gatilho sem disparar Você invade mais um lugar Onde eu não vou...
O que você está fazendo? Milhões de vasos sem nenhuma flor. O que você está fazendo? Um relicário imenso desse amor.
Corre a lua porque longe vai, Sobe o dia tão vertical, O horizonte anuncia com o seu vitral Que eu trocaria a eternidade Por essa noite...
Porque está amanhecendo? Peço o contrário, ver o sol se por. Porque está amanhecendo? Se não vou beijar seus lábios Quando você se for?
Quem nesse mundo faz o que há durar, Pura semente dura um futuro amor, Eu sou a chuva pra você secar, Pelo zunido das suas asas Você me falou
O que você está dizendo? milhões de frase sem nenhuma cor. O que você está dizendo? Um relicario imenso desse amor.
O que você está dizendo? O que você está fazendo? Por que é que está fazendo assim? Por que está fazendo assim?
"Onde está você agora..." Hoje eu tive a oportunidade de tc com um dos amores da minha vida ( pra naum dizer o unico) tc um bom tempo, e rimos bastante, foi incrivel, eu fiquei tão feliz... ele estava usando web cam, e isso tornou tudo ainda mais perfeito. Eu fiquei observando o sorriso mais perfeito do mundo! E os olhos mais lindos do mundo tb! Eu poderia ter olhado pra ele o dia inteiro e a noite inteira e nem me lembraria do resto... De tudo isso só teve um problema... Talvez o que acabe tornando tudo um "quase sonho desfeito" pq pra que ele tc comigo eu precisei trocar meu nome, e usar um messenger que naum fosse o meu, pra que ele nem sonhasse estar tc com a Rafaella (chata que sempre pega no pega no pé dele), ate mandei uma foto que naum era minha,e ainda isso eu fiquei feliz. MAS ERA EU! Todo tempo e ele gostou de tc comigo... ele só naum sabia que era eu... MAS ERA... Ah que droga.
Escrito por †Ëssênciå då morte† às 22h12
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Desintegrado em milhões de pedaços Me arrasto em milhões de direções E não segurei firme o suficiente a sua mão Escapei em falsos sonhos Sentei-me em lugares ocupados Busquei a glória de estar contigo E encontrei a ridícula solidão

Escrito por †Ëssênciå då morte† às 22h08
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E então eu chorei...

”E então eu chorei. Não como a criança que se perdeu da mão adulta, ou como quem procura o chão ou um rumo. Não chorei em descontrolado pânico; mas também não me pus sobre o tapete persa da dor impassível, dura. Chorei um pouco mansa, mas bem pouco. E quase nada agressiva. A parte mínima de revolta presente em meu pranto era pura falta de onde pousar as pombas gordas do meu desconsolo. Eu estava de bem com a ilusão, nosso caso andava rendendo as mais ricas orgias, mas não era isso. Eu não era mais feita de coisa sem nome. Já ousava desejar lares terrenos a meus monstros que crio. E àquela altura já nem mais criava monstros. Eu chorei porque sangrava, e sem vergonha. Porque ser só já não me mete medo, desde que, do jeito que for, eu sei que luto. Chorei e escrevo até passar: até saciar-se da fome a chama de escândalo que é a minha vaga-alma-lume”.
E então eu chorei de verdade, e me espantei ao perceber que não sabia o motivo, porque será que eu chorei? Suponho que eu tenha acumulado lágrimas dos dias que não chorei, mas se não chorei foi porque não quis, e não é difícil entender isso... Mas hoje eu chorei, é que tudo parece tão igual todo dia, talvez seja por isso. Ou talvez não seja por nada...
Escrito por †Ëssênciå då morte† às 20h54
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