Livro do Desassossego, por Bernardo Soares.
Subi ao alto, à minha Torre esguia, Feita de fumo, névoas e luar, E pus-me, comovida, a conversar, Com os poetas mortos, todo o dia.
Contei-lhes os meus sonhos, a alegria Dos versos que são meus, do meu sonhar, E todos os poetas, a chorar, Responderam-me então: «Que fantasia,
Criança doida e crente! Nós também Tivemos ilusões, como ninguém, E tudo nos fugiu, tudo morreu!...»
Calaram-se os poetas, tristemente... E é desde então que eu choro amargamente Na minha Torre esguia junto ao céu!...
E aquele anjo de asas grandes a deixou impressionada! Nunca tinha visto algo tão deslumbrante, mas ele apareceu e sumiu com a mesma rapidez. Ela sempre esperou por ele, em qualquer tarde ou anoitecer. Mas ele não apareceu... E ela sentiu frio todas as noites.

Escrito por Menina de Lua às 16h17
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"Num vôo de pombas brancas, um corvo negro junta-lhe um acréscimo de beleza que a candura de um cisne não traria"

Ouvi agora a pouco um bando de pássaros voando, já depois da meia noite. Eles tinham para onde ir mesmo no escuro... ... Incrível... ...
Escrito por Menina de Lua às 00h19
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